
Todo Dia passa Pela frente da janela do meu quarto um garoto, ele sempre está com o mesmo moletom preto e o capuz na cabeça, que não deixa eu poder enxergar o rosto dele, e com aquela mochila preta nas costas, e seu Tênis All Star preto meio surrado com o tempo, sempre me pergunto quem seria esse jovem, e o porque de passar tão cedo e voltar tão tarde, a minha rua não é muito movimentada e por isso que sempre o vejo passar, talvez esse garoto tenha alguma história, algo a compartilhar,ele é tão sombrio quanto uma noite sem lua, aquilo me deixava a cada dia mais curiosa e fascinada, em saber quem é este garoto, provavelmente ele estava indo para a Escola de Rosemery, a única escola da minha cidade que também leva seu nome, graças a Grande Duquesa Rosemery De Belchior, duquesa Inglesa que se mudou, na época da escravidão no Brasil, para uma colonia, aonde comprou terras com seu Marido o Duque De Belchior, duque inglês, e formaram a primeira colonia inglesa no estado de São Paulo, que posteriormente passou a se chamar Cidade de Rosemery, em homenagem a Duquesa que lutou bravamente para libertar os escravos e recebeu está homenagem dos antigos senhores da cidade /colonia da época, Rosemery desapareceu depois da abolição da escravidão e nunca se ouviu falar nela, a Rua 36 é uma das ultimas ruas desta pequena e pacata cidade que não tem nem 10000 habitantes, poucos chegam e muitos saem, este é o lema da cidade, com beleza rustica da época feudal inglesa, sua arquitetura parece muito com uma vila inglesa de 1930 ou algo assim não me ligo muito em datas históricas é meio chato, mas ao ver aquele garoto passando diariamente pela rua 36, ainda me deixa digamos “com a pulga atras da orelha” ditado popular que é bem usado neste momento de confusão em que ficamos sem saber o que falar, passei a observar o garoto por pelo menos 1 ano basicamente e sua ida e vinda pela rua 36, nunca tive coragem de ir e falar com ele, talvez tinha medo ou receio do que ele podia fazer ou pensar ao meu respeito, depois de completados exatamente 1 ano, aquele garoto da rua 36 com seu moletom preto, sua mochila preta e ainda aqueles tênis pretos surrados com o tempo, tinha desaparecido, nunca mais passou por ali, fiquei imaginando no que poderia ter acontecido, com ele , se tinha ido embora como os outros estavam fazendo, ou se mesmo tinha acabado de estudar e estava de férias, mas nada de saber dele, apenas uma noticia sombria de um desaparecimento,não pensei em nenhum momento que poderia ser o Garoto da Rua 36, mas ai a noticia saiu no Jornal com uma foto estampada DESAPARECIDO, e ai pude ver a foto do tal garoto desaparecido que se chamava “Benjamim De Santis” com a mesma roupa, o mesmo tênis e a mesma mochila preta, ai me dei conta que o meu garoto da rua 36 era sim conhecido e se chamava “Benjamim De Santis” que recém tinha se mudado com a família para Rosemery, e recém estava entrando no 2° ano do ensino médio. Aquilo me deixou tão pra baixo, que eu não conseguia mais comer, ou sair de casa, o que era meio estranho pois eu nem o conhecia de verdade, fiquei assim por uma semana, pensando e pensando nele e como pude perder de não ter falado com ele, talvez ele seria, o meu melhor amigo, meu namorado ou algo assim, ou talvez eu só queria descobrir quem era e o porque de passar sempre pela mesma rua todos os dias, sendo que a rua 36 era a mais loga e mais distante da escola de Rosemery, meus pensamentos ficaram inundados com tanta especulação que nem eu mais sabia no que pensar e no porque dele sumir daquele jeito, mas se passaram mais ou menos seis meses e nada de acharem ele, e com o tempo praticamente todos foram voltando ao normal como eu que voltei para a Janela para tentar observar se algum dia ele voltaria. mas me dei conta que……..O Meu Garoto da Rua 36 jamais Voltaria para Mim.